Autismo, Masking social e Kung fu



Olá a todos. Hoje venho trazer um tema mais especifico. Estava eu mergulhado no tedio de um dia esquisito quando me ocorreu que ando muito cansado. Isso me fez pensar logo no kung fu. Será que não estou cansado porque estou gastando energia de mais?

O kung fu vem como aquela força que me faz parar e analisar todo o meu estilo de vida. Mesmo que na maioria das vezes eu falhe em detectar o que está errado.




Existe uma expressão comum para nós autistas que é o chamado "masking" ou traduzindo ficaria como máscara. É basicamente a tendência em máscara nossas peculiaridades e nossa natureza.

É realmente fascinante como o ving tsun(wing chun) consegue transpor essas máscaras sociais que de certa forma me vi forçado a construir por anos. Quando estou com os irmãos e em minha vivência dentro da família é tão fluído que nem tenho tempo para gastar energia com essa prática.

Meu bom irmão Guilherme sempre diz que devo estar inteiro na prática e que parar e relaxar a mente quando necessário é importante, mas quando se propõem fazer algo...devo estar por completo.

Hora não tem como estar por completo usando uma máscara social...isso mostra o quanto o desenvolvimento pessoal está envolvido. Dando mais condições e ferramentas para que eu seja capaz de transpor minhas barreiras e as limitações que aprendi a longo da vida a acreditar que eram verdades absolutas. Pura ilusões.

Existem algumas práticas que como autista eu aprendi a evitar. Hora porque geravam desgaste ou hora porque eram extremamente sem sentido pra mim. Uma dessas práticas é o ato de ir ao barbeiro. Um ambiente onde geralmente existem muitos estímulos e me sinto desorientado.

Hoje enquanto cortava o cabelo me lembro de confrontar essa sensação de desconforto. E vejo uma boa dose de kung fu e posicionamento marcial no ato de não me esquivar.

Aceitar o processo e abraçar o que se tem encontrando uma espécie de ponto de equilíbrio em meio ao desconforto. Isso me lembra da frase do filosofo Kant ao dizer que "liberdade é se fazer o que não se quer". Posso dizer que enquanto estava sentado na cadeira do barbeiro me senti livre por fazer o que deveria e não o que eu queria.

Pode parecer exagero o que estou descrevendo aqui, mas olhando com um olhar mais empático o leitor poderá notar que as vezes atividades simples podem ser verdadeiras batalhas internas dentro do espectro do autismo e sinto que travar essas batalhas não só desenvolve o kung fu como fortalece minha essência e autoestima.




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