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Mostrando postagens de abril, 2025

Cuidado vs A Ilusão do Controle

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A ilusão do controle: quando "cuidar" vira "cobrar" Tem uma citação taoísta que sempre me arrebenta o queixo mais do que qualquer possivel soco : "Aquele que controla, perde. Aquele que solta, ganha tudo." Claro, o Tao falava de rios, árvores, ciclos da natureza... Mas vamos aplicar isso ao relacionamento com aquele ser humano que você jurou amar, mas que vive atrasando a própria terapia e irritando suas projeções emocionais. O zelo é bonito — desde que não vire vigilância. Cuidar do outro não é vigiar sua jornada de cura com um cronômetro na mão e um plano de ação no Excel. Cada pessoa tem seu próprio tempo, suas próprias sombras, e por mais que sua vontade seja salvá-la com afeto e conselhos dignos de Confúcio, talvez o mais sábio seja se retirar dois passos e deixar o "Tao" fazer seu trabalho. Esperar que o outro te ame do jeito que você gostaria é como esperar que um leopardo se torne vegano porque você tem pena dos antílopes. Vai acabar ...

Kung Fu Que Rompe o Impossível

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Existem caminhos que não escolhemos — eles simplesmente nos encontram. O kung fu foi um desses caminhos. Quando dei meu primeiro passo dentro da arte, não imaginava o quanto ela me mudaria. Não só na técnica, na disciplina ou na postura... mas, principalmente, na forma como me relaciono com o mundo e com as pessoas. O Ving Tsun me ensinou a escutar. Não com os ouvidos, mas com o corpo inteiro. A sentir antes de reagir. A entender que o toque não é só físico — ele pode ser emocional, espiritual. Em cada movimento há uma presença silenciosa que diz mais do que mil palavras. E, nesse silêncio, fui aprendendo a me abrir. A baixar a guarda, não para apanhar, mas para me relacionar. Em meio a tudo isso, escrevi uma carta. Não qualquer carta — uma que talvez nem tenha sido enviada, mas que vive em mim. “Me perco em devaneios, olhando para uma constelação no teto do meu quarto... constelação ou apenas uma mancha?” É essa incerteza que o kung fu me ensinou a abraçar. A beleza de não...

Buscando o Meio

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No meio da roda de conversa do Mo Gun, é comum a gente ouvir aquela frase que parece simples, mas que carrega um peso danado: “retomar o meio”. Quem já treinou um tempo sabe que isso não tem a ver só com posição de base ou linha central — é um lembrete constante de que o kung fu, no fundo, é um caminho de volta. De volta pra onde? Pro centro. Pra si. Pro agora. Semana passada, confesso, me vi longe desse meio. Tive uma crise pesada, daquelas que só quem vive no espectro do autismo entende. Fiquei fora de combate quase uma semana, e olha... não foi bonito. Emoções bagunçadas, o corpo estranho, e a cabeça, então? Uma verdadeira tempestade. Nessas horas, o kung fu deixou de ser só arte marcial e virou abrigo. Um refúgio silencioso e firme. É engraçado como o Siu Nim Tao, uma forma que muitos tratam como “simples”, ganhou um novo significado pra mim. Cada movimento virou um ponto de ancoragem. Cada respiração, um retorno. Não ao controle — porque nessas horas ele é ...