A ilusão da separação e os problemas da competição nas artes marciais

Na imagem o mestre Ip man pratica com seu discipulo Bruce Lee


O que seria a competição se não a maior de todas as formas de se exaltar o ego. Isso é algo interessante e abre espaço para discussões realmente profundas sobre o que fazemos e porquê fazemos.

Durante a minha adolescência participei de algumas competições de judô e karate. E algo que sempre chamou minha atenção era como esses eventos me faziam mal de alguma forma. Sabe não era o meu ambiente ideal...de certa forma não existia um propósito verdadeiramente envolvente no campeonato. Eu não me desenvolvia humanamente ali dentro.


Sou um grande apreciador de animes e enquanto elaborava a ideia por trás desse post me veio uma frase do personagem Keshin do anime Samurai X. "Os melhores guerreiros dessa vida não são os mais forte ou os mais rápidos. Os melhores guerreiros são aqueles que tem a coragem de abandonar as espadas e buscar por uma resposta mais construtiva ao desafio da vida."

Esse pensamento compartilhado pelo personagem reflete bem minha ideia sobre competições no sentido que sua habilidade técnica não importa muito...o verdadeiro mérito é aplicar a marcialidade na vida, no cotidiano e em cada ação com a excelência da simplicidade.

As competições como um todo evidenciam uma ideia de separação que acredito ser a maior de todas as ilusões...uma vez que estamos todos conectados. Eu só posso ser quem de fato sou quando o outro me permite que eu seja. Em outras palavras cada vez mais acredito que as relações humanas se assemelham com a ideia física da conexão das mãos durante a prática do ving tsun(wing chun).

Eu não sei pra onde vou quando início e por isso lanço a pergunta e é a resposta do outro que vai ditando os passos e as respostas de uma forma muito mais dinâmica e viva. Repare aqui que não quero invadir, não quero impor e nem sequer vencer o outro. Quero apenas me conectar.

No mundo moderno somos levados a acreditar que somos autossuficientes e que nossa felicidade e respostas positivas dependem só de nós. De fato posso controlar como reagir a uma situação, mas não posso controlar a ação do outro que desencadeia esse jogo de xadrez que é a vivência social.

Hoje vejo muita gente falar de fé e espiritualidade, mas sinceramente foi dentro do kung fu que tenho aprendido que a base da fé reside no ato de se dispor a participar. É na ação que de fato nos permitimos existir e nos manifestar com os demais que nos cerca. Todo resto é ilusão. No fim somos universos complexos buscando intersecções benéficas e saudáveis. E são essas intersecções que criam relações e isso pra mim também é kung fu.




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