Kung Fu Que Rompe o Impossível
O Ving Tsun me ensinou a escutar. Não com os ouvidos, mas com o corpo inteiro. A sentir antes de reagir. A entender que o toque não é só físico — ele pode ser emocional, espiritual. Em cada movimento há uma presença silenciosa que diz mais do que mil palavras. E, nesse silêncio, fui aprendendo a me abrir. A baixar a guarda, não para apanhar, mas para me relacionar.
Em meio a tudo isso, escrevi uma carta. Não qualquer carta — uma que talvez nem tenha sido enviada, mas que vive em mim.
“Me perco em devaneios, olhando para uma constelação no teto do meu quarto... constelação ou apenas uma mancha?”
É essa incerteza que o kung fu me ensinou a abraçar. A beleza de não saber, de não controlar. De permitir que o outro entre no nosso mundo, mesmo que apenas por um instante, mesmo que só em pensamento.
“Começo uma crônica. Texto, lírica, do presente que é aproveitar a visita mental de sua aura.”
Quantas vezes lutamos tanto para entender o que sentimos, para sufocar a fragilidade? E no entanto, é ela quem nos conecta. Para além das relações marciais, como na vida, é no momento em que estamos verdadeiramente expostos que encontramos o outro.
Jannah — nome que aqui representa uma pessoa, um sentimento, uma ideia, uma possibilidade. Presença que inspira o caos e a paz ao mesmo tempo. Inspiração em meio ao emocional do autismo confuso.
A vida é feita dessas surpresas. De encontros improváveis que nos tornam mais humanos.
O kung fu, no fundo, é isso: uma meditação em movimento. Um modo de existir com mais atenção, com mais alma. Ele não me ensina apenas a lutar. Ele me ensina a atenção ao sentir — e, com isso, a me abrir. Para o outro. Para mim mesmo. Para o que era impossível.
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