O Desejo Por Estar Inteiro
Percebi que o que me prende a essa arte não é só o desafio técnico ou o desejo de "vencer". É a estrutura. A busca constante. A forma como o Ving Tsun sempre esteve ali, mesmo quando eu não tinha clareza do que estava buscando. Toda vez que precisei de um chão, de um norte, ele me ofereceu.
Tem gente que olha de fora e pensa que é só luta. Mas pra mim, o que fica são as camadas invisíveis: os aprendizados, os erros, os pequenos acertos e as muitas reflexões que surgem entre um movimento e outro.
Confesso: nunca fui exatamente um mestre na arte de socializar. Pode ser coisa da minha cabeça, um padrão que eu mesmo criei… ou simplesmente uma limitação que veio de outros fatores. Mas o Mo Gun, o convívio com a Família Kung Fu, foi me mostrando que essa história tem nuances.
Não é que eu não goste de gente. Na real, o que tenho é uma necessidade quase instintiva de estar atento. Saber o momento de abrir, de falar, de rir. E também o momento de recolher, de observar em silêncio, de respirar fundo e só existir ali.
Hoje, enquanto praticava o Siu Nim Tao, fui invadido por uma satisfação profunda. Um sentimento que ultrapassava qualquer cansaço físico ou mental. Pela primeira vez em muito tempo, eu me senti inteiro. Não porque "tinha que estar", mas porque, de fato, eu estava ali… presente… imerso.
E foi nesse instante, entre um movimento e outro, que percebi: é essa sensação que eu quero levar pra tudo. Pro meu trabalho, pros meus relacionamentos, pras minhas escolhas. Quero estar inteiro em cada coisa que eu fizer. Seja trocando golpes, trocando ideias… ou simplesmente trocando silêncios.
No fim das contas, o Kung Fu continua me ensinando que me entregar ao caminho marcial vale muito apena.
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