O Segredo da Felicidade
Depois de um tempo sem escrever, percebo que esse hiato foi necessário. Às vezes, é preciso silenciar para reorganizar a mente e reencontrar o eixo. Muita coisa aconteceu desde meu último texto, e a vida, como sempre, segue potente e imprecisa — o que nos obriga a fazer escolhas e a encarar suas consequências com coragem.
Há algumas semanas, tive a honra de, junto aos meus Si Hings, Thiago e Guilherme, recepcionar nosso Si Fu no Aeroporto do Galeão. Momentos como esse sempre me colocam diante de uma batalha interna: entre o cansaço e a vontade genuína de estar presente. E é aí que percebo uma das chaves do Kung Fu — a importância de encontrar sentido no movimento.
Afinal, mover-se por mover-se é algo frágil, quase vazio. Mas quando há intenção, propósito e sentimento no que se faz, o corpo se alinha com o espírito, e o movimento se transforma em expressão viva do nosso ser mais profundo.
Hoje me vejo numa fase nova, desafiadora até. Tenho buscado me conectar mais com o mundo ao redor — e para quem vive as nuances do espectro autista, essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis. Mas graças à convivência com a Família Kung Fu, aos exemplos diários e à sabedoria transmitida, tenho dado passos concretos nesse caminho.
No meu caso profissional, isso significa sair em busca de espaços e galerias onde possa apresentar meu trabalho artístico. Isso me forçou, mais uma vez, a socializar — algo que não me é natural. Mas, surpreendentemente, percebo que hoje falo e me expresso muito melhor do que quando comecei essa jornada. E isso se deve, em grande parte, ao desenvolvimento do meu Kung Fu.
No caminho do aeroporto até o Recreio, onde deixaríamos nosso Si Fu, algo me marcou profundamente. Observei em silêncio sua presença, sua postura, a segurança tranquila com que se movia e falava. Havia ali um relaxamento ativo, uma atenção silenciosa que parecia abrir espaço para que a nossa luz também pudesse brilhar.
Isso me fez refletir ainda mais sobre a verdadeira felicidade. Tenho pensado bastante sobre isso. E, cada vez mais, percebo que ela não está nas situações externas, que mudam o tempo todo, mas sim no posicionamento mental — na forma como nos colocamos diante da vida, das relações, dos desafios.
Kung Fu, para mim, tem sido isso: aprender a viver com mais intenção, mais presença e mais verdade. Que eu siga aprendendo. Que nós sigamos juntos, nesse caminho.
Até a próxima.
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