Shutdown, Kung fu, Ciclos
Para quem não está familiarizado com termos do universo autista, vou falar brevemente sobre o shutdown e a disfunção executiva... dois dos meus maiores inimigos.
O shutdown, ou desligamento, é um tipo de crise em que o cérebro simplesmente “buga”. No meu caso, sou levado ao limite das forças. Já as disfunções executivas dizem respeito à dificuldade em executar ações consideradas simples. Um exemplo disso é o quão penoso se torna iniciar uma atividade. O mais frustrante é que o desejo de realizar a tarefa continua vivo, mas parece que o corpo não pega no tranco.
Pois bem. Recentemente tive uma crise muito forte, e a expressão “relaxar na crise” nunca fez tanto sentido. É um desafio complicado quando tudo o que se consegue fazer é buscar isolamento sensorial. Ainda assim, práticas como o Siu Nim Tao me ajudam a me autorregular. Isso me fez perceber a importância de viver com kung fu. Indo mais fundo, fez-me enxergar o quanto é essencial cultivar esse kung fu como ferramenta de autoconhecimento e também como ponte de conexão com os outros nesses momentos de crise.
Gosto de pensar que o pós-crise é sempre um ponto de virada de um ciclo. Porque nunca saio o mesmo. A crise, por pior que seja, me desafia a compreender os gatilhos e as mensagens que o corpo está enviando. E, nesse processo, a prática marcial me ajuda a me reconectar comigo mesmo e com os meios sociais nos quais estou inserido.
Muito mais do que lutar, ou do que um desenvolvimento apenas filosófico e humano, minha jornada marcial se constrói na busca pela vida. Uma vida de fato boa independentemente de suas variáveis.
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